Devaneios perdidos

Name: André Luiz Viannay

Tuesday, December 19, 2006

VOLTO EM 2007

Wednesday, November 08, 2006

Teu nome já não cabe no meu samba. Malandro bamba não quer mais saber de ti. E quando desfilares pela Lapa, podes procurar no mapa, não me encontrarás ali. Pois eu voltei pro meu barraco, onde sozinho me completo e me aplaco, a cantar uns versos fracos que é pra eu esquecer de ti. Então, assim, solitário me omito, em outro samba felicito aquele otário com quem andas por aí.

Saturday, October 21, 2006

Sabe uma coisa louca? Sempre que a madrugada chega, me surpreendo pensando em você. Com o rádio a meio tom - uma estação qualquer - cerro os olhos pra poder te achar. Já estão todos deitados. O silêncio ensurdecedor toma conta do quarto. Cama e travesseiros são precisas inspirações. Sonho em palavras. Sabe o que eu penso? Que seria tão ordinário e cruel saber que amanhã eu a terei, que sem a satisfatória surpresa e o inesperado não há a combinação mais-que-perfeita das grandes paixões. Então, sempre que toca o celular corro pra ver. O coração dispara. Pára. Não é você. Por isso, sonhar que estais aqui ou que, inesperadamente a encontrarei numa esquina qualquer, me dá muito mais prazer. E a minha imaginação é tão pura que posso chegar até você e mesmo que eu saiba que tu nem ligas pro que eu escrevo, sempre a imagino lendo, pois dispo a vaidade e acredito que pensas que é pra você. E, justo nessa hora, em que me abstenho da correria do nosso mundo, o que eu mais gosto de fazer é olhar pras paredes e delas fazer a moldura perfeita da nossa vida. Pinto seu retrato e reproduzo nosso amor juvenil – que ganha vida - onde ouço você dizer, com a minha voz, que me quer, e me confundo nas respostas que invento. E quando não gosto, desenho os desfechos irreais da nossa verdadeira história, pois assim consigo te trazer pra perto sempre que desejar, já que voltar à realidade é não saber quando a verei; quando a terei novamente em meus braços. É assim que penso em você.

Wednesday, October 11, 2006

Se eu tivesse...nossa historia teria... a algum lugar? Vamos deixar de lado os particípios da nossa fábula e os gerúndios dessa distância a fim de ignorar os pretéritos na busca desesperada pela conjugação do nosso presente do subjuntivo, que não começa com um "que eu", e sim com um "que nós" (deixo a omissão e o silêncio voluntário apenas para o questionamento anterior). Vamos escrever as flexões de um verbo qualquer nos quatro cantos sem que haja imperativo - afirmativo ou negativo-, sem que haja a exortação ou o dever que não seja o da sinceridade. Vamos consultar o dicionário e criar frases desconexas com palavras simples, doces, que toquem apenas nós dois. Vamos criar nossos sinais e que eles sejam transitivos aos outros. Deixe-os pensarem que somos loucos. Afinal, nós nos amamos e essa é nossa maior demência, nossa aventura insensata na busca do conhecer o que eles chamam vulgar.

Monday, October 02, 2006

Botei cachaça no alambique
Compus um samba no violão
Fiz poesias, acredite
Dei palpite
No bolão
Fraquejei quando te vi
Abri os olhos ao sonhar
Joguei pedras no mar
Que eu tinha de esquecer
Quem não estava mais ali
E assim, sem perceber,
A minha vida eu não vivi
O meu amor eu não amei
A minha pinga não bebi
A minha ginga não dancei
Mas quis te ver e tive medo
De outra vez eu te perder
E, mesmo assim, eu te perdia
Assim, sem perceber...

Tuesday, September 19, 2006

Podes escrever, mulher,
Que pra ti não voltarei,
Que não posso dar além do que já dei
Pra um amor qualquer.
Não me importarei
Se zombares por aí,
Se passares a fingir...
Vou dizer que não liguei.
Podes falar mal de mim,
Caluniar-me assim,
Que não me magoarei.
Pois sei
Que a ferida do meu desamor
Te fez chorar, como eu chorei
E te fez gritar, como jamais ousei,
Quando a outro entregou o seu amor.

Saturday, August 05, 2006

Menina mimada

De certo, ela dirá
Que eu ando mudado;
Que não sinto alegria
De ficar ao seu lado.

Pois anda pela rua
Ser ter amor qualquer.
A vida continua...
O que será que ela quer?

...mas sua vida ainda há de mudar.
Será o tempo curto o bastante pra ensinar?

De lado, eu lhe deixo;
Já nem procuro mais.
Maduro, não me queixo,
Quero estar em paz!

Pra ela, é uma tortura
Não ter ninguém ali
Pra da-la, sem candura,
Um pouco de frenesi.

O tempo passa e ela ainda a esperar
Alguém que se submeta a somente admirar!

Confesso que cansei.
Eu vou pra outro lugar!
Agora eu já sei
Que aqui não quero estar.

Não venha me dizer
Que estranho fiquei.
Não há nada a fazer,
Pois de tudo já tentei!

Ai, já era tempo de ir-me a outro lugar.
Termino o desabafo sem lágrimas no olhar.